O texto a seguir é um guia para se dirigir adequadamente ao clero ortodoxo. A maioria dos títulos não corresponde exatamente aos termos usados em grego, russo ou nos outros idiomas nativos das Igrejas Ortodoxas nacionais, mas são amplamente aceitos como usos padrão em inglês (e português);
Saudações ao Clero Pessoalmente
Ao nos dirigirmos a Diáconos ou Sacerdotes, devemos usar o título “Padre”. Aos Bispos, devemos nos dirigir a eles como “Vossa Excelência”. Embora todos os Bispos (incluindo os Patriarcas) sejam iguais na Igreja Ortodoxa, eles têm diferentes deveres administrativos e honras inerentes à sua posição.
Assim, “Vossa Eminência” é o título apropriado para bispos com bispos auxiliares, Metropolitas e a maioria dos Arcebispos (entre as exceções a esta regra está o Arcebispo de Atenas, a quem se dirige como “Vossa Beatitude”). “Vossa Beatitude” é o título apropriado para patriarcas (exceto o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, a quem se dirige como “Vossa Santidade”).
Ao nos aproximarmos de um Presbítero ou Bispo ortodoxo (mas não de um Diácono), fazemos uma reverência, inclinando-nos e tocando o chão com a mão direita, colocamos a mão direita sobre a esquerda (com as palmas voltadas para cima) e dizemos: “Abençoa, Padre” (ou “Abençoe, Vossa Excelência”, ou “Abençoa, Vossa Eminência”, etc.). O Sacerdote ou Bispo responde então: “Que o Senhor te abençoe”, abençoa-nos com o Sinal da Cruz e coloca a mão direita sobre as nossas. Beijamos-lhe a mão.
Devemos compreender que, quando o Sacerdote ou Bispo nos abençoa, ele forma os dedos para representar o cristograma “ICXC”, uma abreviatura tradicional das palavras gregas para “Jesus Cristo” (isto é, a primeira e a última letra de cada uma das palavras “IHCOYC XRICTOC”). Assim, a bênção do sacerdote é em Nome de Cristo, como ele enfatiza ao responder ao pedido de bênção do fiel.
Outras respostas a este pedido são usadas por muitos clérigos, mas a antiguidade e o simbolismo da Tradição que apresentamos são argumentos convincentes para o seu uso.
Devemos também notar que a razão pela qual um leigo beija a mão de um Sacerdote ou Bispo é para demonstrar respeito ao seu ofício apostólico. Mais importante ainda, visto que ambos seguram os Santos Mistérios em suas mãos durante a Divina Liturgia, demonstramos respeito à Sagrada Eucaristia ao beijarmos suas mãos. De fato, São João Crisóstomo disse certa vez que, se alguém encontrasse um sacerdote ortodoxo caminhando com um anjo, deveria saudar primeiro o sacerdote e beijar sua mão, pois essa mão tocou o Corpo e o Sangue de nosso Senhor. Por essa última razão, normalmente não beijamos a mão de um diácono. Embora um Diácono na Igreja Ortodoxa ocupe o primeiro grau do sacerdócio (Diácono, Presbítero, Bispo), seu serviço não implica abençoar os Mistérios. Ao nos despedirmos de um sacerdote ou bispo, devemos pedir novamente uma bênção, assim como fizemos ao cumprimentá-lo pela primeira vez.
No caso de clérigos casados, a esposa de um sacerdote ou diácono também é tratada informalmente com um título. Visto que o Mistério do Matrimônio une um sacerdote e sua esposa como “uma só carne”, a esposa compartilha, em certo sentido, o sacerdócio de seu marido. Isso não significa, é claro, que ela possua a própria Graça do Sacerdócio ou seu ofício, mas a dignidade do serviço de seu marido certamente lhe é conferida. Os vários títulos usados pelas Igrejas nacionais estão listados abaixo. Os títulos gregos, por terem correspondentes em inglês, são talvez os mais fáceis de usar no Ocidente:
Grego: Presvitera ou Presbítera
Russo: Matushka
Sérvio: Popadia
Ucraniano: Panimatushka ou Panimatka
A esposa de um diácono é chamada de “Diakonissa” em grego. As Igrejas Eslavas geralmente usam o mesmo título para a esposa de um diácono e para a esposa de um sacerdote. Em qualquer caso, a esposa de um sacerdote deve ser tratada normalmente com seu título e seu nome em situações informais (por exemplo, “Presbítera Maria”, “Diakonissa Sofia”, etc.).
Saudações ao clero por telefone
Sempre que falar com um membro do clero ortodoxo de posição sacerdotal por telefone, você deve sempre começar a conversa pedindo uma bênção: “Padre, abençoe”. Ao falar com um bispo, você deve dizer “Abençoe, Déspota” (ou “Vladika” em eslavo, “Mestre” em português). Também é apropriado dizer “Abençoe, Vossa Excelência” (ou “Vossa Eminência”, etc.). Você deve terminar a conversa pedindo uma bênção novamente.
Como se dirigir a um membro do clero em uma carta
Quando escrevemos para um membro do clero (e, por costume, para monges), devemos iniciar nossa carta com a saudação “Abençoa, Padre”. Ao final da carta, é costume encerrar com a seguinte frase: “Beijando sua mão direita…”.
Não é apropriado invocar uma bênção sobre um membro do clero, como muitos fazem: “Que Deus te abençoe”. Isso não apenas demonstra certa arrogância espiritual diante da imagem do clérigo, mas também o fato de os leigos não possuírem a Graça do Sacerdócio nem a prerrogativa de abençoar em seu lugar. Mesmo um sacerdote inicia suas cartas com as palavras “A bênção do Senhor” ou “Que Deus o abençoe”, em vez de oferecer sua própria bênção. Embora possa fazê-lo, a humildade também prevalece em seu comportamento. É evidente que, quando um clérigo escreve a seu superior eclesiástico, deve pedir uma bênção, e não concedê-la.
Tratamento Formal
Os diáconos na Igreja Ortodoxa são tratados como “O Reverendo Diácono”, se forem casados. Se forem diáconos que também são monges, são tratados como “O Reverendo Hierodiácono”. Se um diácono detém a honra de Arquidiácono ou Protodiácono, é tratado como “O Reverendo Arquidiácono” ou “O Reverendo Protodiácono”. Os diáconos ocupam uma posição no sacerdócio e, portanto, não são leigos. Este é um ponto importante a ser lembrado, visto que muitos ortodoxos aqui na América passaram a considerar o diácono como uma espécie de “quase-sacerdote”. Isso é resultado da influência latina e de ensinamentos deficientes. Como membros do sacerdócio, os diáconos devem ser tratados, como mencionado acima, por “Padre” (ou “Padre-Diácono”).
Os sacerdotes ortodoxos são tratados como “O Reverendo Padre”, se forem casados. Se forem Hieromonges (monges que também são sacerdotes), são tratados como “O Reverendo Hieromonge”. Sacerdotes com honras especiais são tratados desta forma: um Arquimandrita (o mais alto grau monástico abaixo do de bispo), “O Reverendíssimo Arquimandrita”; e Protopresbíteros (Arciprestes), “O Reverendíssimo Protopresbítero ou Arcipreste”. No tratamento pessoal, como mencionado acima, todos os sacerdotes são chamados de “Padre”, geralmente seguido de seus primeiros nomes (por exemplo, “Padre João”).
Os Bispos na Igreja Ortodoxa são tratados como “O Reverendíssimo Bispo”, seguido de seus primeiros nomes (por exemplo, “O Reverendíssimo Bispo João”). Arcebispos, Metropolitas e Patriarcas são tratados como “O Reverendíssimo Arcebispo” (“Metropolita” ou “Patriarca”). Por serem também monges, todos os graus de Arquipastores (Bispos, Arcebispos, Metropolitas ou patriarcas) são tratados por seus primeiros nomes ou por seus primeiros nomes e dioceses (por exemplo, “Bispo João de São Francisco”).
Todos os monges do sexo masculino na Igreja Ortodoxa são chamados de “Padre”, independentemente de possuírem ou não o sacerdócio, e são formalmente tratados como “Monge (nome)” se não tiverem o título sacerdotal. Se possuírem o título sacerdotal, são formalmente tratados como “Hieromonge” ou “Hierodiácono” (veja acima). Os monges às vezes são tratados de acordo com seu título monástico; por exemplo, “Rasóforo — monge (nome)”, “Stavróforo — monge (nome)” ou “Schemamonge (nome)”.
O Abade / Igumeno de um monastério é tratado como “O Reverendíssimo Abade / Igumeno”, independentemente de possuir ou não o título sacerdotal e de ser ou não um Arquimandrita. Em hipótese alguma um monge ortodoxo deve ser tratado por leigos como “Irmão”. Este é um costume latino. O termo “Irmão” é usado em mosteiros ortodoxos apenas em duas situações: Primeiro, para designar os iniciantes na vida monástica (noviços ou, em grego, dokimoi [“aqueles que estão sendo testados”]), que recebem uma bênção, na tradição mais estrita, para usar apenas a batina interna; e segundo, como uma forma ocasional e informal de tratamento entre os próprios monges (incluindo bispos).
Os títulos que usamos para monges também se aplicam a monjas. De fato, uma comunidade de monjas é frequentemente chamada de “monastério ou mosteiro” em vez de convento (embora não haja nada de impróprio, como alguns afirmam erroneamente, em chamar um mosteiro feminino de “convento”), assim como a palavra “convento”, em seu sentido mais estrito, também pode se aplicar a uma comunidade monástica masculina. As monjas são formalmente tratadas como “Irmã (nome)” ou “Rasófora-Monja (nome)”, etc., e a Abadessa / Igumena de um monastério é tratada como “A Reverendíssima Abadessa ou Igumena”. Embora as tradições para o tratamento informal variem, na maioria dos lugares, as Monjas Rasóforas são chamadas de “Irmã”, enquanto qualquer monja acima do posto de Rasófora é chamada de “Madre”. As noviças são tratadas como “Irmã”.
fonte: http://orthodoxinfo.com/praxis/clergy_etiquette.aspx
tradução de monja Rebeca (Pereira)








