Mensagem para o Ano Novo de 2026
Ao iniciarmos um novo ano, somos convidados a olhar para o mundo e para nós mesmos com olhos mais atentos e um coração mais desperto. O tempo que passa não é apenas uma sucessão de dias, mas um chamado de Deus à conversão, ao discernimento e à esperança.
Vivemos tempos marcados por muitas destruições. Vemos cidades devastadas, guerras que ferem povos inteiros, a natureza explorada sem respeito e sociedades cada vez mais fragmentadas. Mas há também uma destruição mais silenciosa e, talvez, mais perigosa: a destruição interior. A fé enfraquecida, o amor esfriado, a verdade relativizada, a indiferença diante do sofrimento do outro. Como nos alerta o Senhor no Evangelho: “Por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mt 24,12).
Diante disso, o ano novo não deve ser vivido apenas com desejos genéricos de prosperidade, mas com uma pergunta essencial: onde está o meu coração? A Igreja nos ensina que a verdadeira renovação não começa fora, mas dentro. “Se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2Cor 5,17). Não se trata de negar a dor do mundo, mas de não permitir que ela nos roube a esperança.
A espiritualidade ortodoxa nos recorda que toda crise pode se tornar um lugar de encontro com Deus. As ruínas do mundo podem revelar a fragilidade das falsas seguranças e nos chamar de volta ao que é essencial: a comunhão com Deus, a vida sacramental, a oração sincera, o arrependimento que cura e transforma. O ano novo é um convite a reconstruir, pedra por pedra, aquilo que foi destruído em nós e ao nosso redor, começando pela própria alma.
São Basílio Magno dizia que o tempo é um talento que nos foi confiado. Como o usaremos neste novo ano? Para acumular ansiedades ou para crescer na fé? Para alimentar divisões ou para semear reconciliação? Para viver distraídos ou vigilantes, como filhos da luz?
Que, ao entrarmos neste novo ano, não fechemos os olhos diante das destruições, mas também não percamos a esperança. Cristo entrou na história em meio à pobreza, à violência e à rejeição, e foi justamente ali que a salvação começou a florescer. Onde o mundo vê apenas ruínas, Deus vê terreno para a ressurreição.
Que este novo ano seja vivido com sobriedade, fé e coragem. Que saibamos olhar para o mundo com realismo, para nós mesmos com humildade e para Deus com confiança. E que, em meio às tempestades materiais, espirituais e sociais, permaneçamos firmes, lembrando que “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8).
Feliz e abençoado Ano Novo, vivido não no medo, mas na esperança que nasce da comunhão com Cristo.
Bispo Theodore El Ghandour








