Cristo nasceu! Em verdade, nasceu!
Na verdade, Deus como homem nasceu na Terra! Por quê? Para que pudéssemos viver por meio d´Ele (1 João 4:9). Pois sem o Deus-Homem – o Senhor Jesus Cristo – a vida humana é um absurdo suicida completo, e a morte é verdadeiramente o absurdo mais absoluto e horrível da Terra. Compreender a morte significa compreender a vida em toda a sua profundidade, altura e infinitude. Isso só pode ser feito pelo Senhor Que ama a todos, que, por seu amor imensurável, Se torna homem e permanece para sempre o Deus-Homem no mundo humano. Somente como vida de Deus, vida em Deus, a vida humana pode adquirir seu significado eterno. Mas fora de Deus, a vida é o absurdo mais ridículo, repleta de ofensas e amargura. Sua vida, ó homem, só encontra seu significado razoável, racional e lógico em Deus. E seu pensamento, irmão, seu pensamento humano encontra seu significado divino e imortal somente em Deus, somente como pensamento de Deus. O pensamento humano só se torna pensamento de Deus no Deus-Homem, o Senhor Jesus Cristo. O mesmo ocorre com os teus sentidos, ó homem — somente em Deus eles encontram seu significado divino e imortal. Sem isso, seus sentidos são seus torturadores mais impiedosos, crucificando-o continuamente em uma cruz eterna, após a qual não há ressurreição. E a consciência? De onde vem esse estranho feroz em nós, seres humanos? Ela também só se une ao seu significado divino e eterno como consciência de Deus. Sem isso, a consciência humana é um absurdo feroz e horripilante. E a sua morte, e a minha morte, e a morte de todas as pessoas — não é a tortura mais cruel para os seres humanos em todo o mundo? Sim, é verdadeiramente. Mas ela também, somente como a morte do Deus-Homem, adquire seu significado eterno através da ressurreição do Deus-Homem, o Senhor Jesus Cristo; pois por meio d´Ele, e somente por meio d´Ele, a vitória sobre a morte acontece e a morte no mundo humano pode ser compreendida. Assim também, tudo o que é humano, o ser humano em sua totalidade com todas as suas inúmeras infinitudes, só como o Deus-Homem cheio de graça no Corpo deificado e vivificante do Deus-Homem Cristo — a Igreja — adquire seu significado divino, eterno, divino-humano e superior.
Por meio de Sua Encarnação, ao tornar-Se homem, ao tornar-Se humano, Deus entrou, da maneira mais manifesta, no próprio ventre, nas entranhas da vida humana, no sangue, no coração, no centro de toda a existência. Expulso do mundo, do corpo, da alma humana pelo pecado voluntário da humanidade, por meio da Encarnação, ao tornar-Se homem, Ele retorna ao mundo, ao corpo, à alma. Ele Se torna plenamente homem e, sendo homem, trabalha pelo homem, estabelece-Se no mundo e entre as criaturas, cuida da criatura, ilumina a criatura, salva a criatura, transforma a criatura e deifica a criatura. A Encarnação de Deus é a maior transformação e o evento mais providencial, tanto na Terra quanto no Céu, pois o milagre dos milagres aconteceu. Se até então a criação do mundo a partir do nada era o maior milagre, a Encarnação de Deus no homem sem dúvida a superou em seu caráter miraculoso. Se na criação do mundo as palavras de Deus se revestiram de matéria, então na Encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo Deus Se revestiu de um corpo, de matéria, de carne. Portanto, a Encarnação de Deus tornou-se providencial em toda a criação — para cada indivíduo, para cada ser, para cada criatura.
Você também vive por Ele — vive pelo Deus-Homem e será curado de toda morte, todo pecado, toda paixão e todo diabolismo. Que sua vida se torne uma vida de Deus. Nisto reside todo o seu mistério celestial e terreno, ó homem, no momento em que você se torna membro da Igreja — membro do Corpo de Deus-Homem de Cristo. E como devemos viver na Igreja de Cristo? Devemos viver através dos Santos Mistérios e das santas virtudes. É por isso que há um jejum antes do Natal. O jejum é a primeira virtude, e a oração sempre o acompanha. Essas duas virtudes fundamentais levam a pessoa ao Deus-Homem e a ensinam com sabedoria divina como viver por Ele e nEle. O que devemos fazer com o corpo que Deus nos deu? Purifique-o, liberte-o de toda impureza, de todas as paixões, de todo o mal, de todo demônio. E o que isso significa? Significa purificá-lo de todo pecado, pois em todo pecado um demônio se esconde, em todo pecado um demônio age à parte da sua vontade. Num pecado grave reside um príncipe dos demônios, num pecado leve, um duende. A você, a mim e a todas as pessoas foram dados todos os meios necessários para vencer esses demônios, todas as paixões, todos os pecados e toda a morte em nós e no mundo ao nosso redor. A oração e o jejum são fundamentais. Os lábios totalmente verdadeiros do Senhor Jesus Cristo também pronunciaram esta verdade que cria vida: Esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum (Mateus 17:21) — todos os tipos de pecados, todos os tipos de paixões, todos os tipos de demônios.
O Natal está diante de vocês, diante de mim, diante de nós, irmãos e irmãs: Deus nasceu como homem, “para que recebêssemos a vida por meio d´Ele” e assim fôssemos preenchidos em alma e corpo com Deus. E isso se conquista mais facilmente pela oração e pelo jejum. Eles purificam e limpam o corpo e a alma, para que uma alegria maravilhosa se instale neles, e o dulcíssimo Deus-Criança, nosso Senhor Jesus e Deus, preencha completamente nossa existência humana, em todas as suas incontáveis infinitudes. É por isso, ó homem, que seu corpo e sua alma foram criados — para serem preenchidos com Deus e para viverem com Deus no mundo divino celestial. Nossos mestres dados por Deus nesta obra são a oração humilde e o jejum humilde — essas santas virtudes fundamentais do Evangelho. Que elas voem conosco, que nos precedam e anunciem incessantemente a todos os povos do mundo a boa nova salvadora e jubilosa: Cristo Nasceu!
Abba Justin (Popovich)
tradução de monja Rebeca (Pereira)








