O que é a Ortodoxia? É a verdadeira extensão da Igreja de Cristo. É o ambiente espiritual onde o conteúdo da verdade divina, por meio da revelação, é devidamente ensinado. É onde se experimenta a presença contínua da nossa salvação e onde nós e o mundo somos transfigurados. Ortodoxia significa a verdadeira fé e o verdadeiro louvor a Deus. Essa verdadeira fé nos conduz à verdadeira glorificação do Deus Trino. Se a fé for errônea, o louvor a Deus, a Sua glorificação, também será falho. Se a fé não for verdadeira, as pessoas caídas não têm a chance de serem curadas. Não podemos ser conduzidos da idolatria das paixões para a verdadeira adoração do Deus verdadeiro e para a comunhão com Ele.
Desde o Quinissexto Concílio Ecumênico, a Igreja sustenta que o ícone de Cristo é uma expressão e prova da verdadeira Encarnação do Filho e Verbo de Deus, de Sua Paixão e Ressurreição. São João Damasceno, um dos mais fervorosos defensores dos ícones sagrados, observa que, por um lado, a natureza divina é indescritível, mas que, por outro, após a encarnação do Filho, nosso Deus indescritível tornou-se descritível, e o ícone de Cristo representa precisamente essa união indissolúvel entre as duas naturezas, a divina e a humana, na pessoa de Jesus Cristo.
O VII Concílio Ecumênico determinou, em termos teológicos, a questão da honra a ser prestada aos santos nos ícones e, entre outras coisas, declarou que, uma vez que o Filho de Deus se fez carne e osso, podemos representá-Lo e adorá-Lo. Nós também representamos Nossa Senhora, a Mãe de Deus, e todos os santos, e os respeitamos e reverenciamos. Quando reverenciamos os ícones sagrados, não estamos reverenciando os pedaços de madeira, mas as figuras neles representadas. Portanto, não somos idólatras, pois a honra que prestamos aos ícones sagrados é dirigida às pessoas retratadas, e não aos materiais usados para confeccioná-los.
Como ensinou o Padre Georges Florovsky, devemos acolher a tradição da Igreja diretamente em nossos corações, sem pensar demais. Porque, como nos lembra São João Damasceno, “se começarmos a construir a Igreja e cometermos um pequeno erro, tudo desmoronará gradualmente”.
Por meio da leitura do Evangelho do Domingo da Ortodoxia, a Igreja deseja destacar o caso dos apóstolos Filipe e Natanael como exemplo de fé e confissão no Deus Trino. O Senhor chamou Filipe ao ofício de apóstolo (“Segue-me”) porque viu que ele era constante na fé, confiava na Pessoa de Deus e tinha certeza de que Suas profecias se cumpririam. Filipe também procurou transmitir sua alegria e fé a Natanael, dizendo-lhe: “Vem e vê”.
Filipe aceitou com alegria o convite do Senhor e partiu entusiasmado em busca de alguém para levar a Cristo. Ele sentia a necessidade de transmitir a outras pessoas a chama da alegria do Senhor. Chamou seu amigo Natanael, um homem com os mesmos desejos, os mesmos interesses, um homem que aguardava a vinda do Messias.
O apóstolo Filipe é um exemplo que todos devemos seguir, para que possamos levar nossa família, amigos e conhecidos a Cristo e à Igreja. Temos o dever de encorajar e guiar outros para que se tornem discípulos do Senhor.
É uma grande honra ser e ser chamado de cristão ortodoxo. Ao mesmo tempo, porém, também temos uma grande responsabilidade de trazer esse nome para a nossa vida. A Ortodoxia é um tesouro que ultrapassa os sonhos da avareza. Temos a obrigação de defendê-la com unhas e dentes e também de aplicá-la em nosso dia a dia. Da ‘ortodoxia’ (a crença correta) passaremos à ‘ortopraxia’ (as ações corretas), até a presença viva de nosso Senhor Jesus Cristo em nosso mundo interior.
Hierodiácono Rafael (Misiaoulis)
tradução de monja Rebeca (Pereira)







