Existe uma tentação persistente de medir a vida da Igreja com as mesmas réguas do mundo. Para alguns, uma Igreja “bem-sucedida” é a que tem estabilidade financeira. Para outros, é a que promove muitas atividades, projetos sociais e eventos. Há quem olhe para a beleza e a duração dos ofícios, ou para o número de pessoas que enchem o templo, e daí conclua se uma comunidade está viva ou não.
Nada disso é inútil. A Igreja precisa de meios para manter seus templos, servir os pobres e anunciar o Evangelho. Precisa rezar, precisa organizar a vida comunitária, precisa acolher o povo. Mas nenhum desses elementos, isoladamente, revela se a Igreja está realmente cumprindo sua missão.
No Evangelho, Cristo nunca apontou riqueza, eficiência ou popularidade como sinais do Seu Reino. Ele disse que Seus discípulos seriam reconhecidos pelo amor e pelo fruto que dariam. “Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). E esse amor se manifesta, antes de tudo, na capacidade da Igreja de gerar vida espiritual.
Desde o início, a Igreja é apresentada nas Escrituras como um corpo que cresce, uma vinha que dá frutos e uma família que se expande. No livro dos Atos dos Apóstolos, não se diz apenas que os cristãos perseveravam na doutrina, na comunhão e na oração. Diz-se também que “o Senhor acrescentava, dia após dia, aqueles que eram salvos” (At 2,47). Esse crescimento não era advinha de propaganda, mas do modo de vida.
Os Santos Padres compreenderam isso. São João Crisóstomo dizia que a maior riqueza da Igreja não está no ouro, mas nas almas que se aproximam de Cristo. Uma comunidade pode ser simples e pobre aos olhos do mundo e, ainda assim, ser riquíssima diante de Deus se continua gerando arrependimento, fé e conversão.
Por isso, um dos sinais mais claros da saúde espiritual de uma Igreja é a presença de catecúmenos e neófitos. Onde há pessoas aprendendo a rezar, descobrindo o Evangelho e sendo iniciadas na vida sacramental, ali há algo vivo. Uma Igreja que apenas preserva os mesmos rostos e costumes, sem novos filhos, corre o risco de se tornar um círculo fechado, mais preocupado em se manter do que em dar vida.
Na Tradição Ortodoxa, a Igreja é chamada de Mãe. E uma mãe viva gera, nutre, educa e faz crescer. Se não há novos nascimentos espirituais, algo essencial está faltando, mesmo que tudo pareça organizado por fora. Isso não significa buscar números por vaidade ou fazer proselitismo vazio. O nascimento espiritual de uma pessoa acontece quando ela encontra Cristo por meio da Palavra, dos sacramentos e do testemunho de uma comunidade que vive de verdade o que anuncia. São Serafim de Sarov dizia que, quando alguém adquire o Espírito de paz, muitos ao seu redor são tocados. A Igreja cresce não por estratégias, mas por santidade que se irradia.
Os neófitos e catecúmenos são um presente para toda a comunidade. Eles trazem o frescor do primeiro amor, lembram aos antigos fiéis por que um dia se aproximaram de Deus e renovam a esperança da Igreja. Como crianças em uma casa, dão trabalho, exigem cuidado, mas também trazem alegria, futuro e vida.
Ao lado disso, há um outro critério igualmente essencial: a presença viva dos mosteiros e da vida monástica. Desde os primeiros séculos, o monaquismo sempre foi o coração orante da Igreja. Os monges e monjas não são um detalhe da história cristã, mas um sinal permanente de que Deus é levado a sério.
Os Santos Padres viam os mosteiros como pulmões espirituais. São Basílio, Santo Antônio e tantos outros sabiam que a Igreja não poderia viver apenas de atividades, discursos e estruturas. Ela precisava de homens e mulheres totalmente consagrados à oração, ao arrependimento e à intercessão pelo mundo.
Uma Igreja pode crescer em números e, ainda assim, enfraquecer se perde sua vida contemplativa. Por outro lado, onde há mosteiros vivos, há profundidade, discernimento e sustentação espiritual. Os monges não fogem do mundo. Eles carregam o mundo inteiro em seu coração diante de Deus. Cada vigília, cada jejum, cada lágrima em oração sustenta silenciosamente famílias, paróquias, sacerdotes e catecúmenos.
Não é por acaso que, nos tempos de maior crise, o Espírito Santo sempre suscita renovação monástica. Onde a oração é viva, a Igreja encontra novamente seu eixo. Assim como a Igreja precisa gerar novos fiéis, ela também precisa gerar vocações consagradas. Uma comunidade que não desperta jovens para o sacerdócio e para a vida monástica, pouco a pouco perde sua profundidade e sua visão do Reino.
No fim, tudo está ligado. Catecúmenos, neófitos, famílias, monges e monjas formam uma única grande família espiritual. O verdadeiro progresso da Igreja não se mede apenas pelo que ela possui, nem pelo que conserva, mas pelo que ela gera e pelo quanto ela permanece unida a Cristo.
A pergunta decisiva continua sendo simples e exigente: estamos, de fato, conduzindo pessoas ao encontro vivo com Cristo? Quando a resposta é sim, então, mesmo em meio a limitações, a Igreja está viva, crescendo e caminhando na graça.
+ Bispo Theodore El Ghandour








