QUATRO PRINCÍPIOS ESPIRITUAIS FUNDAMENTAIS
No Domingo do Perdão, a Igreja nos lembra: “Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós” (Mateus 6:14). Mas como podemos aprender a perdoar? O Evangelho oferece quatro princípios que nos ajudarão a aproveitar melhor a Quaresma.
O primeiro princípio: não guardar ressentimento, mas humilhar-se. É difícil ofender uma pessoa humilde — ela percebe cada palavra como uma bênção. Se nos ofendemos, significa que nos tornamos presunçosos. Santo Abba Doroteu diz que até mesmo um formal “perdoa-me” queima os demônios, porque eles não podem dizer nem “perdoa-me” nem “tem misericórdia”. Os orgulhosos esperam que os outros peçam perdão, mas os humildes dão o primeiro passo. A palavra “perdoa-me” torna-se um fogo que queima todo o ressentimento e orgulho.
O segundo princípio: veja o ofensor como vítima. São Porfírio Kavsokalyvitis deu o seguinte exemplo: um homem é ameaçado com uma faca na garganta e forçado a repreender outro. De quem é a culpa? De quem o força, o diabo. As pessoas são meros instrumentos em suas mãos. São João Crisóstomo nos ensinou a nos irarmos contra Satanás, não contra o nosso próximo: “Se alguém te agredir, guarda a tua ira contra o diabo e nunca cesses a tua hostilidade para com ele. Sede sempre inimigos, sempre irados, sempre irreconciliáveis com ele.” O diabo é o nosso principal inimigo; ele tenta as pessoas, e elas, como cativas, cometem pecados. Devem ser alvo de compaixão, não de ódio.
Se virmos que alguém pecou contra nós, é útil lembrar: o instigador de toda contenda é o espírito maligno. O apóstolo Paulo nos lembra: “Porque a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades, contra as forças espirituais da maldade nas regiões celestes” (Ef 6,12). Reconhecendo isso, deixaremos de nutrir ressentimento contra nossos vizinhos e direcionaremos nossa raiva contra o verdadeiro inimigo.
O terceiro princípio: não ostente o seu jejum. O Senhor diz: “Quando jejuardes, ungi a tua cabeça e lava o teu rosto” (Mateus 6:17). A cabeça é a mente; deve ser ungida com o óleo das Sagradas Escrituras. O rosto é a alma; deve ser lavado com lágrimas de arrependimento. O jejum não é motivo de orgulho, mas um meio de união com Deus. Não devemos nos diferenciar externamente; o principal acontece no coração. Não devemos nos vangloriar de nossas façanhas, para que o jejum não pareça aos homens, mas ao nosso Pai Celestial.
O quarto princípio: acumule tesouros no céu. “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem… mas acumulem tesouros no céu” (Mateus 6:19-20). A alma é o céu, o corpo é a terra. O jejum é um tempo para boas obras, caridade e oração. Tudo o que colocamos em nossas almas, ninguém pode roubar. É importante humilhar a carne e nutrir o espírito, preocupar-se não com o passageiro, mas com o eterno. Toda boa ação, toda expressão de amor se torna um tesouro celestial.
Se nos indignarmos com o diabo, formos compassivos com o nosso próximo, lermos as Escrituras, nos arrependermos e não nos vangloriarmos do nosso jejum, a Quaresma se tornará um tempo de verdadeiro crescimento espiritual. Onde estiver o nosso tesouro, aí estará também o nosso coração. A Quaresma é uma oportunidade para nos transformarmos, aproximarmo-nos de Deus e sentirmos a Sua graça. Que o Senhor nos ajude a trilhar este caminho com proveito para as nossas almas!
Portal Oficial da Juventude Ortodoxa da Igreja Russa no Telegram
tradução de monja Rebeca (Pereira)








