Na Palestina, as pessoas estavam divididas em dois grupos principais: os super judeus, que seguiam rigidamente a lei e todas as suas pequenas regras, e os demais, que não seguiam essas regras minuciosas. Os judeus tratavam estes últimos como cidadãos de segunda classe. Evitavam escrupulosamente a companhia deles, recusavam-se a fazer negócios com eles, a dar ou receber qualquer coisa deles, a casar-se com eles e a evitar qualquer tipo de convívio social, inclusive à mesa. A convivência de Jesus com estes últimos, especialmente com cobradores de impostos e pecadores, chocou a sensibilidade desses judeus ortodoxos. Ao chamar Levi (futuro Mateus) para ser um de Seus discípulos, Jesus escolheu um dos homens mais improváveis ​​— um cobrador de impostos que, por profissão, era desprezado pelo povo judeu.

Vale lembrar que os cobradores/coletores de impostos eram vistos como traidores ao serviço de Roma. Muitos deles, logicamente, se aproveitavam de seu cargo e extorquiam os judeus através da cobrança obrigatória dos impostos. Os cobradores eram considerados traidores das tradições, cultura e Lei judaica. Imagine só o que significava ser um cobrador/coletor de impostos naquele cenário?

O quê me leva a refletir é como Cristo chama nossa atenção através de parábolas de Seu santo Evangelho em que vemos envolvidos cobradores de imposto: em Zaqueu, o próprio Mateus apóstolo e o Publicano da Parábola de ontem. Eis uma sintonia com o amor pelo dinheiro… e todos nós sabemos que este mal é a raíz de todas as paixões.

Quando os fariseus questionaram seu comportamento pouco correto de comer com pecadores em público, a defesa de Jesus foi bastante simples. Um médico não precisa visitar pessoas saudáveis; em vez disso, ele vai até os doentes. Da mesma forma, Jesus procurou aqueles que mais precisavam. Um verdadeiro médico busca a cura da pessoa como um todo — corpo, mente e espírito. Jesus veio como o médico divino e o bom pastor para cuidar do Seu povo e restaurá-lo à plenitude da vida.

Os judeus ortodoxos estavam tão preocupados com a própria prática religiosa que negligenciaram ajudar justamente aqueles que precisavam de cuidado espiritual. A religião deles era egoísta porque não queriam ter nada a ver com pessoas diferentes deles. Jesus declarou Sua missão em termos inequívocos: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”. Ironicamente, os judeus eram tão necessitados quanto aqueles que desprezavam. Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Romanos 3:23).

Agora, vejamos bem… este mal está enraizado na civilização desde todo sempre. O Evangelho retrata a metanóia dos personagens envolvidos nas parábolas, caracterizados por uma relação não saudável com o dinheiro. Cristo vem nos alertar e ajudar… este mal sempre esteve ao alcance de todos, não é uma coisa de agora, do presente, moderna. A ajuda que Ele oferece é uma mudança de mente em relação ao dinheiro, pois só assim este mal é radicado e a personalidade restituída, pois que é dando que se recebe. O amor é sobre dar e não receber…


monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia

Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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