AS SETE PALAVRAS DO SALVADOR NA CRUZ – PARTE 2

Quinta Palavra: “Sabendo que tudo já estava consumado, para que se cumprissem as Escrituras”, disse Jesus, “tenho sede!” (João 19:18).

Além do Salmo 22, outro salmo é digno do nome “messiânico”. Este é o Salmo 69. Diz: “A afronta quebrantou-me o coração, e estou cansado. Busquei misericórdia, mas não há; consoladores, mas não os encontro. Por isso, deram-me fel para comer, e na minha sede me deram vinagre para beber.”

De fato, “estava ali uma vasilha cheia de vinagre. E os soldados embeberam uma esponja em vinagre, puseram-na na ponta de um ramo de hissopo e a levaram à boca de Jesus” (João 19:29).

Muitas profecias foram cumpridas.

Esses soldados romanos, acostumados a matar, sentados aos pés da Cruz, que dividiram as Suas vestes, como David escreve. Ainda antes, no Pretório, eles O vestem com um manto púrpura e uma coroa de espinhos e O adoraram como um Rei, dizendo: “Salve, Rei dos Judeus!” (Mateus 27:28-29).

Para esse povo severo, essa zombaria e escárnio contra um Homem indefeso era — é terrível dizer — um dos poucos prazeres disponíveis. Mas o que eles não sabiam, e não poderiam saber, era que naquele exato momento estavam imersos no âmago da história, e naquele exato instante estavam cumprindo as profecias mais terríveis.

Eles realizaram a coroação do verdadeiro Rei — Jesus Cristo. Essa coroação começou com crianças judias, quando, no dia da Entrada em Jerusalém, gritaram: “Hosana ao Filho de David!” E os soldados continuaram. Para eles, esses eram jogos cruéis e familiares, mas não para Jesus. Ele não estava brincando. Ele aceitou verdadeiramente as insígnias do poder real: a túnica púrpura, a coroa, o cetro e as prostrações. Em meio ao Seu próprio sangue e dor, em meio ao escárnio e à humilhação, Jesus reinou verdadeiramente sobre a humanidade! Ouvis? Ele é o nosso Rei!

Qualquer pessoa que saiba o que aconteceu então confessa que Jesus Cristo é o verdadeiro Rei, que aceitou o sofrimento cruel para redimir Seus súditos rebeldes.

Sexta Palavra: Agora que o vinagre havia sido provado, podia-se dizer: “Está consumado!” (João 19:30). A palavra usada no texto grego tem vários usos em assuntos judiciais e militares.

Se se trata de um julgamento, significa que a inocência foi comprovada. A pessoa foi absolvida e ficou completamente livre. Está consumado!

Se se trata de dívidas, significa que a dívida foi paga integralmente. Todas as reivindicações foram retiradas, o caso foi resolvido. Está consumado!

Se se trata de guerra, significa que o inimigo foi completamente derrotado. A vitória é completa e incondicional. Está consumado!

O Senhor Jesus Cristo nos concedeu esta vitória abrangente. Ele pagou nossas dívidas, quebrou nossos grilhões e venceu nosso inimigo. Agora, armada com a Cruz do Senhor, a Igreja de Cristo deve travar uma guerra espiritual até o fim desta era.

Esta luta, como o fermento no pão, se espalhará por toda parte e abrangerá a todos: todas as nações, todas as épocas e todos os continentes. Ela será travada sob o signo da Vitória Invencível — sob a Cruz do Senhor, na qual nossa Redenção aconteceu. Esta luta está acontecendo agora e continuará acontecendo.

Até que aquela mesma palavra — Está consumado! — seja proferida mais uma vez. Agora será dito por Aquele que está assentado no trono: “Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve, porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. E disse-me: Está consumado! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim; darei de graça da fonte da água da vida a quem tiver sede” (Apocalipse 21:5-6).

Sétima Palavra: O Senhor Jesus sempre orava. “Em lugares desertos, levantando-Se bem cedo pela manhã” (Marcos 1:35) e escondendo-Se da “grande multidão que se reunia para ser curada” (Lucas 5:15-16). Ele orava em eventos particularmente importantes. Por exemplo, no Batismo no Jordão (Lucas 3:21) e antes da Transfiguração no Monte Tabor (Lucas 9:28).

Antes da escolha dos doze apóstolos, Ele passou a noite inteira no monte em oração (Lucas 6:12), e desejando ressuscitar Lázaro, que tinha apenas quatro dias, clamou ao Pai em público (João 11:41-42). Ele orou no Getsêmani diante do Cálice da Paixão até suar sangue. Então, como poderia Ele morrer sem orar?

Às três horas da tarde, segundo o nosso cálculo, quando o sol se envergonhava de brilhar sobre a terra e havia “trevas sobre toda a terra”, “Jesus clamou em alta voz, dizendo: ‘Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito’. E, tendo dito isso, expirou” (Lucas 23:45-46).

Novamente, Ele não compôs novas palavras, mas usou aquelas ditas e escritas anteriormente.

Um judeu piedoso, antes de entregar sua alma a Deus à noite, costuma dizer as palavras do Salmo 31: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Salmo 31:6).

Com essas mesmas palavras, como quem está prestes a dormir, o Filho de Deus, que suportou o tormento até o fim, dirigiu-Se ao Pai. Seu sono seria um pouco mais longo que o habitual. A noite que se aproximava, o dia e a noite de sábado, e o início do Novo Dia, que marcará o começo de uma Nova Era.

As pernas dos ladrões serão quebradas para apressar suas mortes. O som terrível de ossos quebrando ecoará nos ouvidos das testemunhas. Mas Jesus será encontrado já morto. E somente um soldado romano, com habilidade, golpeará o Senhor nas costelas com uma lança para confirmar se Ele está morto ou vivo. Ele estará morto. Somente Suas costelas perfuradas farão jorrar as duas fontes da vida: Sangue e Água, para a lavagem e purificação dos fiéis.

Em breve, muito em breve, Ele será retirado da Cruz e, após o luto, envolto em um sudário. Uma pedra pesada selará o tesouro inestimável em um túmulo de pedra. Mas nenhuma pedra O deterá quando Ele romper as correntes da morte.

Mas não nos precipitemos. A alegria da Ressurreição só é acessível àqueles que conhecem as lágrimas da Sexta-Feira Santa.


Arcipreste Andrey Tkachev
tradução de monja Rebeca (Pereira)

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