Houve um tempo em Israel em que o povo era admoestado por profetas. Deus falou ao povo por meio dos profetas durante centenas e centenas de anos, chamando-os à reflexão e à correção, guiando-os sobre como organizar suas vidas e sua sociedade. Sabemos como essas comunicações muitas vezes terminavam.
E na época da Anunciação, não havia profeta em Israel havia 400 anos. Deus permaneceu em silêncio, pretendendo vir pessoalmente ao povo e falar com ele sem a intermediação de profetas, mas face a face. Mas antes disso, Ele enviou Seu Arcanjo para pedir a permissão de uma jovem que vivia nos arredores de um grande império.
A Solenidade da Anunciação da Santíssima Mãe de Deus é a pedra angular do nosso calendário litúrgico. O nascimento de Cristo é contado a partir d´Ela, mas sua data não se altera em função da Páscoa, e a antiga tradição cristã afirma que foi neste mesmo dia que nosso Senhor foi crucificado. Este ano, esta festa situa-se no limiar da Paixão de Cristo, revelando significados especiais para a nossa compreensão da economia da salvação humana. Eis a boa nova anunciada ao mundo pela Virgem: “Alegrai-vos!” E então, sem que nos apercebamos, estaremos cantando o cântico doloroso de Cristo dirigido à Virgem: “Não chores por Mim, ó Mãe, ao ver-Me no túmulo.”
Mas a alegria da Páscoa de Cristo está logo ali. Diante de nós está a última, talvez a mais difícil, parte da jornada para o Gólgota. A mais difícil e a mais dolorosa. Oremos à Santíssima Mãe de Deus, para que Ela nos ampare com Suas orações, para que também nós, tendo suportado todas as dores da Semana Santa, possamos saudar a Páscoa de Cristo com corações puros, lavados pelas lágrimas.
Metropolita Ambrósio (Ermakov)
tradução de monja Rebeca (Pereira)






