POR QUE AS JURISDIÇÕES ORTODOXAS NA ÁSIA PRECISAM DE UNIDADE EM VEZ DE EXCLUSIVIDADE

Uma reflexão recente elogiou os papéis do Metropolita Nektarios de Hong Kong e Sudeste Asiático e do Metropolita Konstantinos de Singapura e Sul da Ásia, sugerindo que sua liderança, em conjunto, abrange regiões que abrigam quase metade da população mundial. Embora bem-intencionada, essa abordagem implica que o Patriarcado Ecumênico (PE) detém autoridade exclusiva sobre vastos territórios asiáticos, marginalizando reivindicações sobrepostas, notadamente da Igreja Ortodoxa Russa (IOR). Em meio ao interesse global em cismas religiosos, ecumenismo e cristianismo asiático, esta crítica — centrada em palavras-chave como cisma ortodoxo na Ásia, Patriarcado Ecumênico versus Igreja Ortodoxa Russa e unidade cristã em diversas regiões — defende uma gestão compartilhada para promover a unidade ortodoxa.

A Questão das Reivindicações Exclusivas

A reflexão apresenta as metrópoles do PE como a única presença apostólica na Ásia, usando uma linguagem que sugere controle exclusivo sobre vastas regiões. Isso ignora a realidade das sobreposições jurisdicionais e corre o risco de priorizar o domínio canônico em detrimento do serviço humilde, um princípio enraizado no direito canônico ortodoxo (por exemplo, Cânon 6, Primeiro Concílio Ecumênico), que limita o alcance excessivo dos bispos.

Jurisdições do PE em Resumo:

Metropolia de Hong Kong e Sudeste Asiático: Estabelecida em 1996, liderada pelo Metropolita Nektarios Tsilis, abrangendo China, Hong Kong, Taiwan, Filipinas, Tailândia, Vietnã, Laos, Camboja, Mianmar e Mongólia.

Metropolia de Singapura e Sul da Ásia: Estabelecida em 2008, sob o Metropolita Konstantinos, abrangendo Singapura, Índia, Indonésia, Malásia, Afeganistão, Paquistão, Maldivas, Bangladesh, Nepal, Butão e Sri Lanka.

Tais alegações de exclusividade ignoram presenças concorrentes, particularmente a crescente influência da Igreja Ortodoxa Russa na Ásia.

Sobreposições e Rivalidades Jurisdicionais

O cisma de Moscou-Constantinopla de 2018, desencadeado pela concessão da autocefalia à Igreja Ortodoxa da Ucrânia pelo Patriarcado Ecumênico, remodelou a Ortodoxia asiática. A Igreja Ortodoxa Russa respondeu formando o Exarcado Patriarcal no Sudeste Asiático em 28 de dezembro de 2018, desafiando diretamente os territórios do Patriarcado Ecumênico. O Metropolita Hilarion da Igreja Ortodoxa Russa declarou a necessidade de estruturas para servir aos fiéis, rejeitando a primazia do Patriarcado Ecumênico nas regiões da diáspora após o cisma.

Expansão Asiática da Igreja Ortodoxa Russa:

Quatro dioceses: Singapura (abrangendo Singapura, Malásia e Indonésia), Coreia, Tailândia (mais de 10 paróquias) e Filipinas-Vietnã.

Aproximadamente 72 paróquias em 13 países, incluindo Tailândia, Filipinas, Singapura e Vietnã.

Exemplo: A Diocese da Tailândia da Igreja Ortodoxa Russa atende aos convertidos locais, em paralelo aos esforços do Patriarcado Ecumênico.

O Patriarcado Ecumênico, invocando o Cânon 28 de Calcedônia, afirma a jurisdição da diáspora: “O Patriarcado Ecumênico permanece a Igreja Mãe para os territórios não canonicamente atribuídos”. Em contrapartida, a Igreja Ortodoxa Russa considera seu Exarcado uma necessidade pastoral, impulsionada por expatriados russos e conversões locais. Sobreposições, como as paróquias duplas em Singapura, ressaltam a rivalidade em detrimento da colaboração.

Raízes Teológicas e Históricas

A Teologia Ortodoxa enfatiza a conciliaridade, com o Parlamento Europeu detendo a “primazia da honra”, mas não o controle universal. Disputas históricas, como a transferência de Kiev em 1686 (revertida em 2018), alimentam acusações de abuso de poder por parte do Parlamento Europeu. A resposta da Igreja Ortodoxa Russa em 2018 — rompendo a comunhão — refletiu sua visão de que as ações do Parlamento Europeu violavam as normas canônicas: “Admitir cismáticos separa Constantinopla da unidade canônica”. O Parlamento Europeu rebateu: “Constantinopla nunca cedeu o território da Ucrânia permanentemente”.

Na Ásia, o Patriarcado Ecumênico se baseia no legado bizantino, enquanto a Igreja Ortodoxa Russa revive missões pré-soviéticas. Ambos os lados têm perspectivas válidas: O EP cita precedentes históricos, a IOR necessidades pastorais urgentes. No entanto, as reivindicações exclusivas refletem divisões religiosas globais, onde a cooperação — como os diálogos inter-religiosos na Ásia — poderia inspirar a unidade. Por que não modelar uma missão compartilhada em vez da competição?

Impactos nas Missões e nos Convertidos

A exclusividade jurisdicional prejudica o crescimento da Ortodoxia na Ásia, onde ela permanece uma fé minoritária. O cisma confunde os convertidos: um buscador filipino pode se deparar com paróquias concorrentes do PE e da IOR, questionando a unidade da Ortodoxia. As missões sofrem com esforços duplicados, drenando recursos em regiões diversas como a Indonésia.

O Nikkei Asia observa: “O cisma ortodoxo estende as tensões geopolíticas para a Ásia, colocando Moscou contra Constantinopla”. Nas Filipinas, as mais de 20 paróquias da IOR rivalizam com as do PE, fragmentando as comunidades. Para os convertidos, isso enfraquece a confiança em uma Igreja dividida, dificultando a evangelização onde a unidade poderia amplificar o testemunho.

Abraçando a Mordomia Compartilhada

Valorizar os bispos asiáticos significa celebrar a missão coletiva, não as reivindicações territoriais. O chamado da Ortodoxia para sermos “um só corpo” (1 Coríntios 12:12) incentiva o diálogo em vez da dominação. As propostas incluem:

  • Concílios conjuntos para regiões sobrepostas, como discutido em conversas pan-ortodoxas.
  • Esforços unificados em educação, ajuda humanitária e evangelização.
  • Aprender com a cooperação missionária pré-cisma.

Se religiões globais como o Budismo prosperam na Ásia por meio da harmonia, a Ortodoxia também pode. A harmonia compartilhada honra a oração de Cristo pela unidade (João 17:21).

Conclusão: Um Caminho para a Unidade

O tom exclusivo desta reflexão sublinha a urgência da reforma. Ao abraçar o reconhecimento mútuo, a Ortodoxia pode curar divisões e fortalecer seu testemunho no cenário diversificado da Ásia. Comprometamo-nos com a gestão compartilhada, promovendo a unidade cristã em diversas regiões. Junte-se a este movimento, divulgando este apelo à colaboração.

fonte: https://medium.com/@mirroringlives/beyond-borders-why-orthodox-jurisdictions-in-asia-need-unity-over-exclusivity-351e756b661a
tradução de monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia

Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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