O monasticismo é uma verdadeira sociedade, uma verdadeira comunhão de pessoas, uma assembleia litúrgica (sinaxe). No monastério, os monges não são indivíduos isolados ou meros nomes, mas juntos constituem um só coração, um só corpo. Não existimos separadamente uns dos outros. E como os monastérios, em sua maioria, têm mais monges do que celas, todos estão próximos uns dos outros e expressam o amor de seus corações. O que se encontra na organização da vida monástica é um exemplo de vida celestial. E a Igreja toma esse exemplo e o oferece aos fiéis, da mesma forma que os Padres da Igreja o fizeram.
O mundo pensa que, quando alguém se torna monge em um monastério, abandona a sociedade e se torna indomável. Dizem isso porque desconhecem que os monges são os seres humanos mais sociáveis. É preciso saber que ninguém pode se tornar monge se não for sociável, ou seja, se não for capaz de se comunicar e lidar aberta e diretamente com todas as dificuldades encontradas em uma vida compartilhada com os outros. Se um homem teve dificuldades para casar ou constituir família, é provável que não seja um bom monge. Ele precisa sentir-se seguro em sua vida. Monastérios não são lugares de refúgio. Consequentemente, um monge é alguém que pode ter alcançado sucesso em tais relacionamentos, e também os amou, e por isso não os rejeita, não os condena, não os despreza, mas prefere algo superior para si.
Um monastério é uma irmandade calorosa e unida. Todos são membros de um só corpo, o Corpo de Cristo. Ali se sente o que o apóstolo Paulo diz aos membros da igreja de Corinto, que estavam divididos: “Se um membro sofre”, como a minha mão esquerda, “todos os membros sofrem com ele” — e assim o meu olho olhará para ver o que há de errado com a minha mão, e a minha mão direita procurará ajudá-la. Todos os membros ajudam uns aos outros. Se um membro sofre, os outros se compadecem dele e o ajudam. Se um membro se alegra, se é coberto de glória, todos os membros se alegram; todo o nosso corpo se alegra (cf. 1 Cor 12.26-27).
Arquimandrita Aimilianos de Simonopetra
tradução de monja Rebeca (Pereira)







