A VÉSPERA DA TEOFANIA (COMEMORADA AOS 5/18 DE JANEIRO)

A Véspera da Teofania antecipa a festa. Através dos hinos e das leituras da Véspera nas Horas Reais, do Ofício de Vésperas e na Liturgia, a Igreja apresenta, por meiro de leituras das Sagradas Escrituras, tudo o que se refere aos protótipos e profecias do Antigo Testamento sobre o Batismo, a própria existência do Batismo e seus frutos. Como na Véspera, qualquer que seja o dia da semana, o Livro de Rubricas (Typikon ou Ustav) exige a bênção por aspersão e degustação da água benta, um jejum e a necessidade de comer “sementes escaldadas (grãos), ou kutiya com mel”, visto que esta noite do Batismo é normalmente chamada de Vespéra (Paramonia em grego, Sotchelnik em russo) da Epifania.

O Livro de Rubricas afirma que, se a Véspera cair num sábado ou domingo, “não há jejum”, o que deve ser entendido como uma simplificação do jejum: não há jejum como na Véspera que cair nos outros dias da semana. Em vez de uma única refeição, é permitido comer duas vezes, uma após a Liturgia e outra após a Bênção das Águas.

Se a Véspera cair num sábado ou domingo, as Horas Reais são celebradas na sexta-feira anterior e a Liturgia não é realizada nessa sexta-feira (o Livro de Rubricas não impõe jejum neste dia). Mas a Liturgia de São Basílio é realizada no dia da festa. No sábado ou domingo, na Véspera da festa, realiza-se a Liturgia de São João Crisóstomo e, em horário próprio (separadamente da Liturgia), o Ofício de Vésperas. Este Ofício de Vésperas, com a leitura do Parimeias, da Epístola e do Evangelho, são celebradas na Véspera do Batismo.

Na Véspera da Teofania do Senhor, nos templos, realiza-se a Grande Bênção das Águas da Santa Teofania, que consiste em recordar as profecias referentes ao evento do Batismo (Parimeias), o próprio evento e seus sinais (a Epístola e o Evangelho), as orações da bênção de Deus sobre a água e a infusão do Espírito Santo nela para lhe conceder o poder de purificação e cura, das tríplices bênçãos e imersões da cruz, como que relembrando a imersão do Senhor nas águas do Jordão. A Bênção da Água termina, por um lado, com o clero e todo o povo beijando a  cruz e sendo aspergidos com água benta; por outro lado, com a invocação dos fiéis à grande glória dos atos de Deus, manifestados no Batismo do Senhor e na bênção da água, e com o convite final ao uso desta água para a salvação: “pois sobre aqueles que nela bebem com fé, a graça do Espírito é invisivelmente concedida por Cristo Deus e Salvador de nossas almas”.

Realizada na Véspera da Teofania, a bênção da água serve como memorial de que, na antiguidade, na Véspera da Epifania, se realizava a bênção da água para o batismo dos catecúmenos, e é por isso que ela é feita nos templos onde os catecúmenos eram batizados. Esta bênção da água é chamada de grande, em comparação com outras bênçãos, chamadas de menores (realizadas em 1º/14 de agosto e outros dias e ocasiões), devido à solenidade especial do rito e à memória do Batismo do Salvador.

O início do costume de benzer a água na Véspera da festa coincide com o início da própria festa. Tertuliano e São Cipriano já se lembravam dessas coisas. As Constituições Apostólicas também contêm orações proferidas na Bênção das Águas. Santo Epifânio vê o início da prática de tirar um pouco de água das fontes em memória do milagre das Bodas em Caná da Galileia, e essa prática é chamada de antiga. São Basílio, o Grande pergunta: “Em que escritos abençoamos as águas do Batismo?” e ​​responde: “Na Tradição Apostólica sobre a sucessão do mistério”. São João Crisóstomo menciona a propriedade especial da água abençoada neste dia, já observada na Igreja antiga e aceita com fé até hoje: a propriedade de não se deteriorar com o passar do tempo e permanecer completamente fresca durante todo o ano, e até mesmo por dois ou três anos.

Os cristãos, desde os tempos antigos, têm grande reverência pela água benta. A Igreja Ortodoxa chama a água benta de Grande Agiasmos (santa). A Igreja usa esta água benta para aspersão de templos e casas, e destina-a a beber em jejum todos os dias ao acordar (de preferência, com um pedaço de antidoron). Cristãos piedosos, desde tempos antigos, têm também o costume, na Véspera ou na festa do Batismo, de beber um pouco da água benta para uso doméstico e de a manter no cantinho de ícones sagrados doméstico.

Cântico da Bênção das Águas, tom VIII:

A voz do Senhor ressoa sobre as águas:

Vinde e recebei o Espírito de sabedoria,

O Espírito de entendimento,

O Espírito do temor de Deus,

Ó Cristo que Se manifestou.

Hoje a natureza da água é santificada,

O Jordão se divide e retoma seu fluxo,

Vendo o batismo do Mestre.

Como homem, vieste ao Jordão,

Ó Cristo, nosso Rei,

Para ser batizado com o batismo de servo:

Pelos nossos pecados, ó Amante da humanidade.

Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo,

Agora e sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém.

Vieste, ó Senhor, à voz no deserto

Que clamava: preparai o caminho do Senhor.

Vieste como servo

Desejando o batismo de João, embora estejas livre do pecado.

As águas Te viram e temeram,

O Precursor tremia e clamou:

Como pode o candelabro iluminar a luz?

Como pode o servo colocar a mão sobre o Mestre?

Santifica as águas e a mim, ó Salvador,

Que tiras os pecados do mundo.

Na Véspera, quando esta cair num sábado ou domingo, a Bênção das Águas será feita no final das Vésperas, após a Litania de Súplica: “Completemos nossa oração vespertina”, e a exclamação do sacerdote. Para a realização desta Bênção das Águas, o sacerdote, durante o canto do clero: “A voz do Senhor ressoa sobre as águas”, sai pelas Portas Reais “carregando na cabeça a preciosa cruz, os castiçais à sua frente, e o diácono com o turíbulo”, até a mesa ricamente decorada onde há (um) recipiente(s) preparado (s) com água, e se posicionam ao redor dela com velas, e distribuem velas aos irmãos. A Bênção das Águas é feita desta maneira: o Celebrante, “abençoando a água transversalmente com a cruz sagrada, mergulha-a verticalmente, descendo na água e emergindo, segurando-a com ambas as mãos, cantando o Tropário no primeiro tom: “Quando foste batizado no Jordão”. E a segunda vez, da mesma maneira, o Celebrante abençoa a água com a cruz, e também a terceira vez, cantando o Tropário ele mesmo, acompanhado pelos outros sacerdotes; e na quarta vez, eles e o coro cantam o Tropário. O Celebrante pega o recipiente com água benta e, voltando-se para o povo a oeste, segurando a cruz sagrada na mão esquerda e o basilisco (pincel) na mão direita, asperge transversalmente por todos os lados”. Depois disso, os concelebrantes, e atrás deles os leigos, aproximam-se para beijar a cruz e o reitor os asperge “no rosto” com água benta “transversalmente”. Durante este tempo, cantamos o Tropário muitas vezes, até o fim da aspersão de água benta.

A Igreja Ortodoxa abençoa a água duas vezes na ocasião da Festa da Teofania (5 e 6 de janeiro) para comemorar o Batismo de Cristo: uma vez na Véspera (5 de janeiro), na igreja, para os catecúmenos e para as famílias, e novamente no dia da festa (6 de janeiro), geralmente em uma fonte de água natural, como um rio, permitindo que todos os fiéis levem água abençoada para casa durante o ano, simbolizando Cristo purificando toda a criação e concedendo cura espiritual. Ambas as bênçãos utilizam o mesmo serviço da “Grande Bênção”, tornando a água igualmente sagrada, servindo tanto aos recém-batizados quanto a toda a comunidade.

Por que duas vezes?

Prática histórica: Originalmente, a primeira bênção na Véspera (5 de janeiro) era para o batismo dos catecúmenos, os candidatos ao batismo, que eram batizados durante a vigília noturna.

Participação Comunitária: A segunda bênção no dia da festa (6 de janeiro) era para a comunidade em geral, para que todos os cristãos batizados pudessem receber água benta para suas casas e para benefício espiritual pessoal, não apenas os catecúmenos.

Simbolismo do Batismo de Cristo: A bênção honra o próprio Batismo de Cristo no rio Jordão, significando que, por meio de Sua presença, todas as águas são santificadas e a criação é renovada.


fonte: https://www.holytrinityorthodox.com/htc/orthodox-calendar/
tradução de monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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