Após a decapitação do Profeta, Precursor e Batista do Senhor João, seu corpo foi sepultado por seus discípulos na cidade samaritana de Sebástia, e sua preciosa cabeça foi escondida por Herodias em um lugar desonroso. Mas o Senhor não abandonou Seu santo. A piedosa Joana, esposa do mordomo real Cuza, secretamente tomou a santa cabeça, colocou-a em um vaso e a sepultou no Monte das Oliveiras. Décadas se passaram, e a propriedade passou para a posse do piedoso nobre Inocêncio. Quando ele começou a construir uma igreja ali, enquanto cavava uma vala para o alicerce, um vaso contendo a preciosa cabeça foi descoberto. Inocêncio reconheceu a grandeza da relíquia pelos sinais de graça que dela emanavam — milagres e curas acompanharam essa descoberta. Assim ocorreu a Primeira Descoberta da Cabeça do Batista. Antes de morrer, Inocêncio, temendo a profanação do santuário, escondeu-o novamente no mesmo lugar.
Muitos anos se passaram. Durante o reinado do Santo Imperador Constantino, o Grande, igual aos Apóstolos, quando a fé cristã começou a florescer, o próprio Santo Precursor apareceu duas vezes a dois monges que haviam ido a Jerusalém para venerar os lugares sagrados, revelando a localização de sua venerável cabeça. Os monges encontraram a relíquia e, colocando-a em um saco, partiram em sua jornada. No caminho, encontraram um oleiro e lhe entregaram o precioso fardo para carregar. Sem saber o que carregava, o oleiro continuou calmamente seu caminho. Mas o próprio São João Batista lhe apareceu e ordenou que fugisse dos monges negligentes, levando consigo o que carregava. O oleiro obedeceu à ordem milagrosa, escondeu-se dos monges e guardou reverentemente a santa cabeça em casa. Antes de morrer, selou-a em um vaso e a entregou à sua irmã.
Assim, a venerável cabeça foi sucessivamente preservada por cristãos piedosos até chegar às mãos do sacerdote Eustácio, contaminado pela heresia ariana. Numerosas curas foram realizadas pela santa cabeça, e Eustácio, atribuindo a graça aos seus falsos ensinamentos, seduziu os enfermos à heresia. Quando sua blasfêmia foi descoberta, ele fugiu, enterrando a relíquia em uma caverna perto da cidade de Emesa. Monges piedosos se estabeleceram na caverna, e um monastério surgiu posteriormente. Em 452, São João Batista revelou em uma visão ao arquimandrita deste monastério, Marcelo, a localização da cabeça escondida. Esta descoberta ficou conhecida como a Segunda Descoberta. A relíquia foi transferida para Emesa e, em seguida, para Constantinopla.
A respeito do profeta João, o Senhor Jesus Cristo disse: “Entre os nascidos de mulher não surgiu ninguém maior do que João Batista”. A própria história de sua venerável cabeça, milagrosamente preservada e depois recuperada pela vontade de Deus, testemunha a grande santidade do Precursor. Os sinais de graça, as aparições do próprio santo e as curas que acompanharam essas descobertas fortaleceram a fé dos cristãos e glorificaram o santo de Deus.
E agora, durante os dias de jejum e penitência da Grande Quaresma, recordamos reverentemente esses milagres, pedindo a São João Batista, o maior dos profetas, que interceda por nós junto do Senhor, o Cordeiro de Deus, que tomou sobre Si os pecados do mundo.
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tradução de monja Rebeca (Pereira)








