No início do século IV, o imperador romano Licínio ordenou que todos os soldados cristãos que não renunciassem a Cristo fossem mortos. Em Sebástia, na Armênia, localizada na atual Turquia, quarenta soldados que permaneceram fiéis a Cristo foram presos e deixados nus sobre o gelo de um lago congelado durante toda a noite. Às margens do lago, bem em frente aos confessores, havia um balneário aquecido. Um dos soldados não suportou o frio do inverno e correu para o balneário, mas caiu morto à sua entrada. Pouco depois, um dos guardas viu coroas de ouro descendo do céu sobre os mártires restantes; e gritando: “Eu também sou cristão!”, despiu-se e correu para se juntar aos punidos — e assim tornou-se digno de uma coroa de mártir. Dessa forma, aquele que renunciou a Cristo perdeu tanto esta vida terrena quanto a salvação eterna, enquanto aquele que resolveu morrer pelo Senhor herdou a bem-aventurança eterna.

Que lição podemos aprender com o exemplo dos Mártires de Sebástia? Ao que parece, não há perseguições abertas contra cristãos em nosso país hoje. Não somos ameaçados de morte ou outras repressões por professarmos nossa fé. Mas, ainda assim, podemos afirmar com certeza que o exemplo dos Quarenta Mártires é relevante na vida de todo cristão, em todos os tempos.

Podemos não ser ameaçados de morte, mas frequentemente nos deparamos com uma escolha: guardar os mandamentos ou violá-los em busca de uma vantagem passageira. Um motivo para violar os mandamentos pode ser ganho material, conforto, evitar conflitos com aqueles que nos cercam, medo de nossos superiores ou até mesmo o perigo de perder o emprego.

Se prestarmos atenção aos acontecimentos de nossas vidas, não será difícil perceber que, nas situações em que decidimos guardar o mandamento de Deus em detrimento de nossos ganhos terrenos, não apenas preservamos nossa fidelidade à vontade de Deus e, por meio dela, a paz em nossas almas, mas muitas vezes até mesmo as perdas materiais foram insignificantes (menores do que o esperado) ou logo compensadas.

Se escolhermos o ganho terreno em detrimento do mandamento, por mais estranho que pareça, perdemos ambos, assim como o soldado que morreu na soleira da casa de banhos.

É um padrão simples.

Ao escolhermos Deus, ganhamos riquezas incorruptíveis. Além disso, o Senhor nos deixa os bens terrenos de que precisamos.

Ao tentarmos nos apegar à matéria, mas nos afastarmos do Criador da matéria, perdemos tudo.

E podemos ter certeza de que, se quando nos depararmos com uma escolha, nos lembrarmos do exemplo dos Quarenta Mártires de Sebástia, nossas chances de tomar a decisão certa aumentarão significativamente.

Andrey Gorbachev
tradução de monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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