Glória, poder, primazia e domínio sobre as mentes alheias, e sobre essas mesmas pessoas, tornam-se ídolos, imagens veneradas e deuses para muitos. E um ídolo sempre exige sacrifícios, primeiro inocentes e, logo em seguida, sangrentos. Essa é a essência sinistra do nosso mundo de pecado. Conhecemos a história, conhecemos os tempos modernos e vemos como o desejo por poder, glória, dominação e adoração se transforma em um demônio. Lembremos todos aqueles déspotas e tiranos ao longo da história que, em nome de “sentar à esquerda e à direita”, isto é, de estar no topo da pirâmide humana, mancharam este mundo criado por Deus com torrentes de sangue. Milhões os admiravam, os adoravam como deuses e estavam dispostos a sacrificar a si mesmos e a seus filhos por eles. Embora, é claro, preferissem sacrificar os filhos de outras pessoas.
E a história nos ensina que quanto mais rica uma pessoa é espiritualmente, mais santa ela é, mais serve aos outros, se humilha e demonstra humildade e modéstia. Alguém poderia objetar a essa abordagem cristã: basta mostrar fraqueza e o inimigo explorará essa fraqueza para destruir, conquistar e arruinar. E o principal erro nessa objeção é que a humildade não é fraqueza, mas força. Somente uma pessoa forte, corajosa, crente e brilhante confia em Deus a ponto de demonstrar humildade e serviço, em vez de agressão para autodefesa. A humildade sempre vence o orgulho, tanto neste mundo quanto no próximo; esta é a lei divina.
Por isso, ainda honramos não déspotas e tiranos, mas São Serafim de Sarov, a Bem-Aventurada Xênia de Petersburgo e Santa Maria do Egito. Eles influenciaram a humanidade e demonstraram uma força interior e um poder que todos os tiranos desta época jamais poderiam ter alcançado. E não se esforçaram para ser os primeiros, permanecendo por vezes completamente desconhecidos, mas invariavelmente se viram em primeiro lugar por terem sido os últimos. Esta é a lição do Senhor hoje. Que esta lição seja a nossa estrela guia e que este modo de vida seja o nosso ideal e a nossa aspiração.
Metropolita Ambrósio (Ermakov)
tradução de monja Rebeca (Pereira)







