O Cristianismo nasceu em silêncio, longe dos palácios e do poder. Sua origem foi humilde e simples. O próprio Filho de Deus, o Verbo eterno, escolheu vir ao mundo não em glória humana, mas em pobreza e despojamento. Cristo nasceu num estábulo, entre os animais, e foi acolhido por uma Mãe pura e obediente — Maria — e por um homem justo e trabalhador — José, o carpinteiro de Nazaré.
A Encarnação, o maior mistério da história, não se deu em templos de mármore nem em tronos dourados. Deus entrou na história por uma porta estreita, mostrando que o Reino dos Céus não pertence aos orgulhosos, mas aos humildes. Como disse São João Crisóstomo: “Cristo nasceu pobre, viveu pobre e morreu pobre, para ensinar que a pobreza em si mesma é uma grande riqueza.”
O ministério de nosso Senhor também começou longe do centro religioso de Jerusalém. Ele escolheu a Galileia, terra de gente simples, de pescadores, de oprimidos e esquecidos. Ali chamou Seus discípulos, homens sem prestígio, sem formação acadêmica, mas com corações abertos. Deus não os escolheu por sua sabedoria, mas para manifestar sua força na fraqueza humana. Como ensina São Basílio Magno: “Deus Se revela aos que têm o coração puro, não aos que se exaltam em sua própria glória.”
Cristo anunciou o Evangelho assumindo a forma de servo, no lugar da forma de rei. Curava os doentes, tocava os leprosos, comia com pecadores e publicanos. A simplicidade do Cristianismo está em seu coração: o amor gratuito. O Filho de Deus caminhou entre os homens, sem buscar honras, sem exigir reconhecimento. Ele mesmo disse: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos” (Mt 20:28).
O apóstolo Pedro, mais tarde, compreenderia essa verdade mais profundamente. Em Atos 10:9-16, quando tem a visão do lençol descendo do céu, Deus lhe ensina que nada do que Ele criou é impuro, e que a salvação não se limita a um povo ou cultura. O cristianismo, nascido entre os pobres, é aberto a todos os povos, a toda criatura humana que busca ao Senhor. A universalidade do Evangelho nasce da compaixão.
As primeiras comunidades cristãs viviam em casas simples, partilhando o pão e a fé. Não havia ostentação, mas comunhão. Eles se reuniam para rezar, cantar salmos e ouvir a Palavra. Os apóstolos dormiam em casas humildes, pregavam em praças e nas estradas, sem templos, sem riquezas, mas com o fogo do Espírito Santo.
São Gregório de Nissa escreveu: “O Senhor Se fez pobre para que eu aprendesse a buscar as riquezas do espírito. Ele Se fez pequeno para que eu deixasse de buscar grandezas vazias.” É essa lição que o Cristianismo oferece ao mundo até hoje: a grandeza está nos pequenos começos, nos corações simples e dispostos a acolher Deus.
A fé verdadeira não precisa de luxo. Ela floresce onde há amor, onde há entrega, onde há humildade. Cristo mostrou que a glória de Deus se manifesta no serviço e que o poder do Altíssimo se revela nas mãos de um carpinteiro, no ventre de uma jovem virgem, na pobreza de uma manjedoura e na cruz de um condenado.
O Cristianismo nasceu pequeno, mas encheu o mundo. Começou entre os humildes, mas conquistou os corações pela verdade. Essa é a beleza da fé ortodoxa: reconhecer que a força do Evangelho não está na aparência, mas na presença silenciosa de Deus que transforma o pouco em tudo.
“Quem se humilhar será exaltado.” (Lc 14:11)
E assim começou o Reino dos Céus: na humildade, no amor e na simplicidade de Cristo.
28.10.2025
+ Bispo Theodore El Ghandour








