A Segunda-Feira da Semana Santa comemora o bem-aventurado e nobre José e a figueira que foi amaldiçoada e secou pelo Senhor. O secar da figueira foi um milagre de simbolismo especial, visto que a árvore tinha folhas, mas não frutos. É simbólico que muitas pessoas que reivindicam identidade ética e religiosa, mas na realidade têm vidas vazias que não produzem frutos. Este também foi o caso de alguns fariseus daquela época. Jesus amaldiçoou a árvore: “Nunca mais dê fruto algum de ti!” Mateus 21:19. A referência à história do virtuoso José do Antigo Testamento (Gênesis 37-41) é feita apenas para contraste, visto que a vida de José foi um modelo de decoro e observância sincera de princípios éticos.
Nesta noite, começamos com o Hino do Noivo: “Eis que o Noivo vem no meio da noite… sê atenta, ó minha alma, para que não sejas levada pelo sono… e para que não sejas excluída do Reino…”. O hino também contém uma exortação simbólica: “Vejo a Tua câmara nupcial adornada, ó meu Salvador, e não tenho vestes nupciais… Ó doador da Luz, torna radiante a veste da minha alma e salva-me”. Nesse momento, a solene procissão do Ícone de Cristo-Noivo acontece ao redor da igreja. O povo, antecipando os sofrimentos de Cristo, canta: “Teus sublimes sofrimentos, neste dia, brilham sobre o mundo como uma luz de salvação”.
A leitura do Evangelho durante esta celebração é Mateus 21:18-43. O texto menciona que “os principais sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se d´Ele enquanto ensinava e perguntaram: ‘Com que autoridade fazes estas coisas? Quem Te deu esta autoridade?’ (v. 23). Eles buscavam que Cristo Se acusasse ao responder a essa pergunta.
A Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo teve início neste dia. José é considerado um símbolo de Cristo desde os tempos antigos e, portanto, é celebrado na Segunda-feira Santa.
José era filho do patriarca Jacob, nascido de sua mãe Raquel. Como seus irmãos o invejavam por causa de seus sonhos proféticos, decidiram escondê-lo em um poço. Enganaram o pai, usando uma roupa ensanguentada para mostrar que José havia sido devorado por feras. José foi então vendido a alguns ismaelitas por vinte moedas de prata; estes, por sua vez, o venderam a Potifar, chefe dos eunucos do Faraó, rei do Egito. A esposa de Potifar ficou furiosa com a castidade de José, pois, não querendo pecar, ele fugiu dela, deixando para trás suas roupas. Então, ela o entregou ao seu senhor e José foi preso. Contudo, pouco depois, foi libertado por causa de sua habilidade de interpretar certos sonhos; foi levado à presença do rei e nomeado governador de toda a terra do Egito. Mais tarde, foi reconhecido por seus irmãos quando vieram receber sua parte dos grãos, que eram distribuídos aos que sofriam com a seca. Tendo vivido uma vida plena, José morreu no Egito, reconhecido como um homem grande e bondoso para com os outros. Ele é, além disso, um símbolo de Cristo.
Cristo também foi invejado pelo Seu próprio povo, os judeus: foi vendido por um discípulo por trinta moedas de prata e aprisionado na escuridão e tenebrosa cova da sepultura, de onde irrompeu pelo Seu próprio poder, triunfando sobre o Egito, isto é, sobre o pecado. Em Sua força, Ele o conquistou e reina sobre todo o mundo. Em Seu amor pela humanidade, nos redimiu com a distribuição de grãos – assim como Se entregou por nós – e nos alimenta com o Pão Celestial, Sua própria Carne Vivificante. Por essa razão, José, o , é comemorado por esta ocasião. Ele também é lembrado no domingo anterior à Natividade de Cristo.
Ao mesmo tempo, somos também atraídos pela figueira seca, porque os evangelistas Mateus e Marcos escrevem sobre ela após seus relatos dos ramos de palmeira. Um deles diz: “No dia seguinte, quando saíram de Betânia, Jesus estava com fome” (Marcos 11:12); Enquanto um outro diz: “De manhã, voltando para a cidade, Jesus teve fome. Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-Se e não encontrou nela senão folhas. Então disse: ‘Nunca mais nasça fruto de ti!’ Imediatamente a figueira secou” (Mateus 21:18-19). A figueira, portanto, representa a sinagoga judaica, na qual o Salvador não encontrou os frutos necessários da obediência a Deus e da fé n´Ele, mas apenas a sombra frondosa da Lei; Ele retirou até isso, deixando-a completamente despida.
Há também outra explicação misteriosa. Como escreveu Santo Isidoro de Pelúsio: “Esta era a árvore da transgressão do mandamento de Deus, cujas folhas os transgressores também usavam para se cobrir. Como ela não sofreu naquele tempo, Cristo, em Seu amor pela humanidade, a amaldiçoou, para que não desse mais o fruto que era a causa do pecado.”
É também bastante claro que o pecado é comparado ao figo, pois possui o “deleite” do prazer sensual, a “pegajosidade” do próprio pecado e a “dureza e agudeza” de uma consciência culpada.
A figueira também representa toda alma desprovida de fruto espiritual. Pela manhã, isto é, após esta vida presente, se o Senhor não encontrar refrigério em tal alma, Ele a murcha com uma maldição e a entrega ao fogo eterno. Ela permanece de pé como um poste seco, infundindo temor naqueles que não produzem o fruto apropriado das virtudes.
Pelas orações de São José, o Formoso, ó Cristo nosso Deus, tem misericórdia de nós e salva-nos. Amém.
pravmir.com
tradução de monja Rebeca (Pereira)







