Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens, porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo. Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava. E, na minha nação, excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais. Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei carne nem sangue, nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia e voltei outra vez a Damasco. Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor.
Gálatas 1: 11-19 – Epístola do Domingo após o Natal
Cristo nasceu! Glorificai-O!
Há três comemorações de figuras bíblicas todos os anos no domingo seguinte ao Natal. Cada uma delas está relacionada à família de Cristo. Primeiro, comemoramos David, o profeta. Jesus descendia da linhagem de David. David descendia de Abraão, aquele com quem Deus fez a primeira aliança. David segue um padrão familiar para muitas pessoas. Ele era um jovem bem-sucedido — derrotou Golias, o gigante — e era bem visto por seus pares. Então, como rei, o poder subiu à cabeça. Roubou a esposa de seu amigo e mandou matá-lo. Como muitas pessoas que detêm o poder, não o usou com sabedoria. E como muitas pessoas na meia-idade, cometeu alguns erros graves. O que distingue David é que seu arrependimento foi profundo — ele derramou sua alma escrevendo o livro dos Salmos. Hoje vemos David como uma figura justa. Novamente, o ditado se confirma: não é como você começa ou onde você está no meio que agrada a Deus. É como você conclui no final das contas.
A segunda comemoração é de José, o “pai” terreno de Jesus. José também é alguém com quem podemos nos identificar. Ele teve uma vida bastante boa. Trabalhou como carpinteiro. Foi casado e teve filhos. Então, como diz a nossa Tradição Ortodoxa, ficou viúvo. Deus trouxe a Virgem Maria até ele e pediu-lhe que A protegesse, a Ela e ao Menino que Ela carregava, concebido pelo Espírito Santo. O ícone da Natividade sempre mostra José no canto inferior esquerdo, observando a cena, parecendo um pouco confuso. Um ancião aparece ao lado de José. Este representa o diabo, enviado para tentá-lo e confundi-lo ainda mais. O nobre de José é que ele permanece fiel. Talvez ele não compreenda completamente o que está acontecendo. Certamente, há momentos em que ele não tem certeza do porquê de ter sido escolhido. Mas ele permanece fiel a Maria e, principalmente, ao Senhor.
A terceira comemoração é de São Tiago, o “irmão do Senhor”. Tiago é filho de José de seu casamento anterior. Tiago tornou-se o primeiro bispo de Jerusalém e também faz parte do grupo de apóstolos conhecido como “os 70”.
David representa as pessoas que vieram antes de Cristo e ajudaram a preparar o caminho para a Sua Encarnação. José teve um papel material na Encarnação e nos primeiros anos da vida de Cristo na Terra. E Tiago participou da fundação da Igreja primitiva, sendo um dos responsáveis por lançar os alicerces da Igreja que temos hoje.
A leitura da Epístola para este domingo foi escolhida especificamente porque menciona “Tiago, irmão do Senhor” (Gálatas 1:19). A leitura da Epístola, no entanto, trata mais da conversão de São Paulo, quando ele relata aos Gálatas como perseguiu a Igreja, mas depois, chamado por Deus, arrependeu-se e passou a pregar zelosamente A FAVOR de Cristo, em vez de contra Ele.
A ideia de “conversão” está muito em sintonia com a festa da Natividade. Pois, antes da Encarnação, o mundo estava mergulhado nas trevas do pecado. Através da Natividade e da Encarnação do Filho de Deus na carne, a Luz veio ao mundo, e aqueles que vieram para a Luz foram (e ainda são) transformados. Ao conhecermos a Cristo, ao convertermos nossos corações, temos o potencial de nos tornarmos como São Paulo, recipientes de Sua graça. E, como São Paulo, temos a oportunidade, bem como a obrigação, de fazer a nossa parte para espalhar a mensagem de esperança de Cristo aos outros.
Por meio do batismo, todos nos unimos à família de Cristo. Nosso objetivo deve ser um nível mais profundo de conversão e envolvimento na vida de Cristo. Com a aproximação do Ano Novo, estabeleçamos metas espirituais que nos levem a uma maior compreensão de Cristo e do papel que desempenhamos em viver a Sua mensagem.
Sacerdote Stavros Akrotirianakis
tradução de monja Rebeca (Pereira)








